A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que reúne o PT e partidos aliados, protocolou cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral contra o candidato Flávio Bolsonaro e o PL por peças exibidas no horário eleitoral gratuito. As petições solicitam a retirada imediata dos conteúdos do ar, a aplicação das multas previstas em lei no valor máximo permitido e a concessão de direito de resposta para reparar o que a coligação considera agressões à imagem do presidente Lula e à campanha petista.

Nos pedidos, os advogados da coligação apontam práticas como descontextualização de falas, associação depreciativa da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a temas como fome, endividamento e rombo nas estatais, além de alegarem propagação de informações inverídicas. Uma das ações destaca uma inserção veiculada no rádio em 22 de setembro, em que trechos de falas do presidente seriam montados e sobrepostos por um terceiro que exclama “Mentira!”, sem identificação ou contraprova, segundo o documento. Há também representação por propaganda irregular por não indicar o vice da chapa, o deputado Alfredo Gaspar (PL).

A ofensiva judicial tem impacto político imediato: além de criar um rastro de litígios que pode tirar conteúdos do ar e gerar multas, ela acende alerta sobre a estratégia do PL de apostar em ataques e coloca o partido na defensiva perante o eleitor e o tribunal. Se o TSE admitir as ações, a ordem de retirada e eventuais sanções reforçarão a narrativa de que o uso do horário gratuito deve observar limites e responsabilidades informacionais. Para o PL, o custo não é apenas financeiro: a disputa judicial tende a complicar a narrativa oficial de campanha e exigir ajustes rápidos na produção de inserções.

Dos pontos práticos, ficam os próximos passos previsíveis: análise técnica e jurídica das ações pelo TSE, eventual concessão de direito de resposta e a definição de multas, se for o caso. Politicamente, o episódio eleva o nível de atenção sobre a linguagem dos ataques em rádio e TV e expõe o risco de desgaste por alegações de desinformação. A conferir se o partido e o candidato recorrerão à retratação e como responderão ao que já virou frente judicial contra suas peças no horário eleitoral.