Mais de 10,5 mil profissionais da ciência, sindicatos e representantes estudantis divulgaram uma carta pública declarando apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A iniciativa foi assinada por treze organizações nacionais que reúnem pesquisadores, reitores, técnicos e estudantes e coloca a comunidade acadêmica no centro do debate eleitoral.
O documento chama atenção para as consequências políticas das escolhas eleitorais sobre a pesquisa, o ensino superior e serviços públicos. Segundo o texto, a ciência não pode ficar à margem de decisões que afetem a capacidade de desenvolvimento do país e das próximas gerações. Entre as pautas destacadas estão a manutenção e ampliação de investimentos públicos em pesquisa, a defesa da autonomia universitária, acesso à educação e a preservação do Sistema Único de Saúde.
Assinam a carta entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), associações de reitores e federações sindicais — uma amostragem do universo institucional que diz temer retrocessos. A presidente da SBPC resumiu a posição ao defender que a mobilização não é apenas por infraestrutura acadêmica, mas por garantias constitucionais e por condições de vida digna para a população, numa referência explícita ao risco político de retrocessos.
Politicamente, a manifestação tem efeito simbólico e prático. Simbolicamente, amplia a narrativa de que setores organizados da academia e da educação se mobilizam a favor da continuidade de políticas científicas. Na prática, a carta pode pressionar candidatos e partidos a explicitar propostas sobre orçamento, autonomia e ciência, e cria expectativa sobre responsabilidades do próximo governo. Os signatários deixam claro, porém, que o apoio não equivale a entrega de uma adesão irrestrita: mantêm a autonomia crítica diante da administração federal e alertam para o preço político e institucional de promessas não cumpridas.
Em um pleito apertado, apoios setoriais dessa magnitude servem tanto para reforçar a base eleitoral quanto para elevar o nível das negociações programáticas. Resta ver se a mobilização da comunidade científica se traduzirá em capacidade de influência sobre prioridades orçamentárias e ações concretas do próximo governo — ou se ficará restrita ao valor simbólico de uma carta pública.