Levantamento mostra que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ampliou seu patrimônio imobiliário em São Paulo entre 2024 e 2025 em um período marcado pela aproximação com o banqueiro Daniel Vorcaro e pela defesa, no Congresso, de propostas que beneficiariam o Banco Master. Além do triplex já apontado em apurações anteriores — avaliado em R$ 22 milhões —, a família do parlamentar registrou aquisições na capital paulista que totalizam cerca de R$ 7 milhões.
Os imóveis foram comprados pela holding patrimonial CNLF Empreendimentos Imobiliários, ligada à família do senador e registrada em nome de seu irmão, Raimundo Nogueira Lima, que foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero. Entre as transações estão um apartamento no Itaim Bibi adquirido em agosto de 2024 por R$ 650 mil e posteriormente transferido por R$ 1,3 milhão para outra empresa familiar; um imóvel na Rua Oscar Freire pago por R$ 660 mil; e, em novembro de 2025, a compra de uma casa no Morumbi por R$ 5 milhões, registrada em conjunto entre a holding e parentes próximos do parlamentar.
As compras ocorreram em paralelo à participação de Ciro Nogueira na elaboração e apresentação de emenda que ampliaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — norma que poderia favorecer instituições como o Banco Master. Investigadores da Polícia Federal apontam que mensagens e documentos indicam interlocução entre assessores do banco e o texto da emenda, e que Vorcaro comemorou nos diálogos a aprovação do dispositivo nos termos pretendidos pelo banco. A PF também anexou ao pedido de medidas cautelares indícios de pagamentos mensais ao senador; Ciro nega irregularidades e afirma que os imóveis destinam-se à família.
O conjunto de fatos — aquisições imobiliárias em holding familiar, mensagens ligando a redação da emenda a interesses do banco e a liquidação do Banco Master pelo Banco Central após as fases iniciais da mesma investigação — levanta dúvidas sobre conflito de interesse e transparência. Politicamente, o episódio acende alerta para o senador e para seu partido: mesmo sem decisão judicial, as suspeitas ampliam desgaste e podem pressionar alianças e a capacidade de articulação parlamentar. Do ponto de vista institucional, o caso reforça a necessidade de clareza sobre relações entre parlamentares e atores do sistema financeiro e sobre mecanismos de prevenção de influência privada na agenda legislativa.