A campanha de Ciro Gomes (PSDB) apresentou nesta quarta-feira (14/10) ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) ação pedindo a cassação da chapa vencedora de Elmano de Freitas (PT) e a realização de novas eleições. A peça judicial acusa o petista de abuso de poder por suposto uso indevido de meios de comunicação que teria alterado a disputa no período imediatamente anterior ao pleito. Elmano foi reeleito em primeiro turno com 53,19% dos votos contra 46,22% de Ciro.

No documento, os advogados do tucano sustentam que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam permitido a veiculação de propaganda favorável a Elmano em dias normalmente vedados antes da votação. A ação cita especificamente a reversão de decisão do TRE-CE pelo ministro Dias Toffoli, que restabeleceu a transmissão de peças do petista em dois dias que precederam o segundo turno da disputa local. A defesa de Ciro também menciona outras decisões do STF envolvendo direito de resposta que, segundo a peça, desfavoreceram a campanha tucana.

O episódio elevou o tom da disputa. Após o resultado, Ciro divulgou um manifesto nas redes em que disse ter sido prejudicado e direcionou críticas ao ministro do STF que autorizou a veiculação das peças, responsabilizando o Judiciário pela virada do jogo. Do outro lado, a campanha de Elmano reagiu classificando a ação como desrespeito à vontade das urnas e reafirmou que o resultado é legítimo, rejeitando a tentativa de judicializar a vitória.

Do ponto de vista político e institucional, a contestação amplia desgaste e acende alerta sobre a transição no Ceará. Legalmente, a petição ainda será analisada pelo TRE-CE, o que pode arrastar a disputa para um calendário judicial e prolongar incertezas administrativas. Para o governante eleito, a disputa judicial representa risco de desgaste de legitimidade; para a oposição, é uma estratégia de contestação que pode mobilizar nova pressão sobre o Judiciário. O desfecho dependerá do rito eleitoral e das comprovações técnicas apresentadas pelas partes.