O primeiro encontro televisionado entre os principais candidatos ao governo do Ceará, realizado pela TV Band em 9 de agosto, teve como tom dominante a disputa por narrativa sobre segurança pública. Líderes nas pesquisas, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) concentraram ataques mútuos; o postulante do Novo, Pedro Brito, ausentou-se, deixando o embate direto entre os dois nomes mais citados pelos eleitores.

Elmano buscou defender a gestão estadual e imputou a Ciro a responsabilidade histórica pela entrada do Comando Vermelho no estado, recordando a formação da facção nos anos 1990 como marco de estabelecimento das organizações criminosas. Ao mesmo tempo, o governador em exercício reafirmou compromissos em caso de reeleição: fortalecimento da Polícia Militar, intensificação de ações de inteligência e investimentos em tecnologia, como drones, para ampliar o combate às quadrilhas.

Ciro, por sua vez, rejeitou a narrativa de avanço de facções sob sua administração e acusou o atual governo de permissividade. Questionou ainda a capacidade de Elmano de provar investimentos concretos em segurança, citando — em tom crítico — a ausência de concurso para delegados no período entre 2015 e 2025, uma afirmação apresentada como contestação direta às promessas do petista.

Mais do que troca de farpas, o confronto desloca a disputa para um tema sensível aos eleitores e acende alerta sobre a agenda de segurança nas campanhas regionais. Para Elmano, a defesa pública de resultados precisa ser materializada em dados e entrega; para Ciro, o embate reabre a discussão sobre seu legado de governo. O episódio complica a narrativa oficial de ambos e reforça que respostas objetivas sobre eficácia e planejamento serão determinantes nas próximas semanas.