Em participação no evento PEC Brasil, em Fortaleza, o ex-governador Ciro Gomes afirmou que não assistiu — e não pretende assistir — ao vídeo publicado por Michelle Bolsonaro, que relata desentendimentos internos do PL no Ceará. Ao se distanciar da polêmica, Ciro classificou a disputa como assunto do PL nacional e evitou se posicionar sobre as acusações que envolvem membros da família Bolsonaro e lideranças locais.

O vídeo de cerca de meia hora em que Michelle diz ter sido desrespeitada pelo enteado reacendeu uma disputa já latente entre correntes do bolsonarismo cearense. Michelle defende que entendimentos com Ciro no primeiro turno são incompatíveis com a coerência do campo conservador, enquanto grupos ligados a Flávio Bolsonaro e ao deputado André Fernandes advogam por uma estratégia mais ampla que inclua aproximações com o ex-governador.

A crise não se limita a disputas pessoais: ela atinge diretamente a estratégia eleitoral da direita no estado. A divisão entre quem aposta em manter uma candidatura estritamente de direita e quem busca ampliar a frente anti-PT tende a dispersar recursos, mensagens e alianças, além de criar risco de desgaste entre eleitores conservadores. A escolha sobre nomes ao Senado — entre Priscila Costa e candidatos apoiados pela direção estadual — agrava o impasse.

Ao se colocar fora do debate, Ciro evita entrar no centro do conflito, mas segue sendo peça relevante na equação local. Resta ao PL nacional, segundo a própria avaliação de aliados, a tarefa de costurar um caminho que preserve coerência política sem sacrificar viabilidade eleitoral. Se não houver resolução rápida, a situação pode acender alerta para a capacidade do partido de apresentar um projeto único contra o PT no Ceará.