Em entrevista ao portal News Cariri, o pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes afirmou que poderia apoiar nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) em uma disputa presidencial, caso seu partido, o PSDB, não apresente alternativa viável após a desistência de Aécio Neves. A declaração surge no mesmo fim de semana em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público um desentendimento com Flávio Bolsonaro, episódio ligado à disputa eleitoral no estado.

O episódio reforça a fragmentação local: o PL estadual chegou a anunciar apoio à candidatura de Ciro ao governo, mas Michelle Bolsonaro defende outro nome, Eduardo Girão (Novo-CE). Há ainda divergência sobre a vaga ao Senado — com Michelle vinculando-se a uma candidatura diferente da aposta de Flávio Bolsonaro. Ciro procurou desdramatizar as contradições, afirmando que divergências internas não atrapalham seu projeto e que a prioridade é a eleição cearense.

No plano nacional, a hipótese de apoio a figuras externas ao seu campo partidário — um governador do PSD e um jovem candidato de outra legenda — mostra um posicionamento pragmático. A postura de Ciro sinaliza disposição para costurar acordos além de linhas rígidas de partido, mas também acende alerta sobre a capacidade do PSDB de se recompor após a saída de Aécio e sobre o custo político de alianças pouco previsíveis.

Para 2026, a movimentação tem implicações claras: complica a costura de coalizões no Ceará e pode forçar ajustes na estratégia de centro-direita em âmbito nacional. Ao priorizar a disputa estadual, Ciro tenta segurar sua base local, mas a tolerância com divergências internas e a abertura a apoios heterodoxos deixam em aberto como serão alinhadas as peças no tabuleiro eleitoral até a definição dos palanques.