Durante o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará, realizado no Conjunto Ceará, Ciro Gomes protagonizou uma gafe que virou episódio no evento: ao ver um apoiador formar a letra 'C' com a mão, o ex-ministro interpretou o gesto como o símbolo do Comando Vermelho e chegou a pedir a prisão do homem, antes de ser corrigido e se desculpar diante da plateia.

O incidente ocorreu na manhã de sábado, em ato batizado por ele de 'Dia do fico', em que reiterou a escolha de concorrer ao governo pelo PSDB — partido ao qual se filiou no ano passado — e se posicionou como alternativa de oposição no estado. Ciro afirmou nas redes que escolheu ficar no Ceará e prosseguir na disputa local, mas o deslize no palco desviou a atenção do conteúdo programático que o candidato tentou projetar.

Politicamente, a confusão tem efeito simbólico: expõe uma postura vigilante que pode ser lida como sinal de alerta sobre a sensibilidade do tema segurança na campanha. Embora o episódio tenha sido resolvido com pedidos de desculpa e risos, trata-se de um tropeço de imagem que adversários e a cobertura política podem explorar para reduzir o foco em propostas e transformar um lançamento em nota sobre comportamento.

No plano prático, o custo é pequeno, mas real: gaffes públicas diluem agenda e reforçam narrativas sobre risco de improviso. Em um cenário de disputa estadual acirrada, Ciro terá de concentrar a campanha em propostas concretas e evitar novos deslizes que desviem o debate das prioridades do eleitor cearense.