O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, publicou vídeo nas redes sociais nesta terça em que nega ter recebido valores ilícitos e classifica como perseguição política a operação da Polícia Federal que o citou em investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master. Alvo da chamada Operação Compliance Zero, o parlamentar disse acreditar que o timing da ação está relacionado ao calendário eleitoral e lembrou investigação anterior da Lava Jato, na qual teve denúncia rejeitada pela Segunda Turma do STF.
Na mensagem, Ciro reagiu às suspeitas de que teria atuado no Congresso em defesa de interesses do grupo do empresário Daniel Vorcaro, em especial ao citar a PEC 65/2023 — conhecida como Emenda Master — que propôs elevar o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O senador negou que a proposta tenha sido entregue ao Congresso na forma apontada pela investigação e voltou a defender posição técnica sobre o FGC, afirmando tratar-se de tema relacionado à regulação e fiscalização, e não de um instrumento em si capaz de justificar acusações de irregularidade.
A reação pública do líder do PP tenta deslocar o foco para a fiscalização do sistema financeiro e para responsabilidade do Executivo sobre indicações ao Banco Central, ao mesmo tempo em que busca desgastar o enquadramento da operação. Além da Compliance Zero, Ciro aparece em trocas de mensagens investigadas na Operação Carbono Oculto, que apura fraudes no setor de combustíveis. O conjunto de menções a diferentes inquéritos cria um cenário de exposição política que o senador explora para narrar perseguição e exigir a contestação imediata das acusações.
Do ponto de vista político, a repercussão pode ter efeito duplo: por um lado, alimenta a narrativa de vitimização e mobilização da base do partido; por outro, amplia desgaste institucional sobre o PP e adiciona pressão sobre interlocutores no Congresso às vésperas de um ciclo eleitoral. A divulgação de menções em investigações e o recurso à memória de episódios passados — como a investigação da Lava Jato arquivada pelo STF — também lançam dúvida sobre a capacidade do partido de neutralizar o custo político de novas menções a seu presidente nacional.