A indicação de Clariana Zacarkim Barão marca um ponto de inflexão para o Democracia Cristã: pela primeira vez desde a fundação da legenda, em 1995, José Maria Eymael não figura como cabeça de chapa ao Planalto. Aos 39 anos, a advogada cuiabana estreia em eleições nacionais com a vice Fabiana Torquato, em uma aposta que busca renovar a imagem do partido e garantir representação entre as muitas candidaturas já postas para 2026.
Formada em Direito e com trajetória concentrada na estrutura partidária e na advocacia local, Clariana preside o diretório do DC em Mato Grosso e já comandou a Comissão de Solidariedade e Assistência Social da subseção de Várzea Grande da OAB. Sem histórico de cargos eletivos relevantes, ela tenta converter experiência organizacional em capital político para uma campanha que, segundo a candidata, enfrenta dificuldades para se destacar em um universo de 13 nomes.
No discurso público, Clariana coloca a presença feminina como eixo central: propõe um governo com pelo menos 50% de mulheres, incluindo áreas econômicas, e defende maior equilíbrio de gênero no Judiciário, sugerindo medidas para ampliar a representação feminina no Supremo. Em termos de agenda econômica e administrativa, sinaliza apoio a reformas estruturais — especialmente previdenciária e administrativa — sem, no entanto, apresentar detalhes técnicos aprofundados sobre como pretende implementá-las.
Politicamente, a candidatura expõe duas tendências do DC: a busca por renovação e a limitação prática de uma legenda de menor porte. Antes da escolha, o partido flertou com nomes como Aldo Rebelo e Joaquim Barbosa, que não se concretizaram; a opção por Clariana indica preferência pela reconstrução interna em vez da aposta em figuras já consolidadas. Resta à campanha transformar discurso de representatividade em relevância nacional — desafio que passa por superar a inexperiência eleitoral e ganhar espaço diante de candidaturas mais competitivas.