O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro comunicou nesta quinta-feira (28) a retirada da pré-candidatura ao Senado pelo PP. Segundo a nota divulgada por sua assessoria, a decisão decorre de “reflexão pessoal e familiar” e da necessidade de dedicar-se integralmente à apresentação de sua defesa, após semanas marcadas por forte exposição pública e investigações que atingiram sua trajetória e familiares.

A decisão sucede a uma nova etapa da Operação Compliance Zero, na qual a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Castro por autorização do ministro André Mendonça, do STF. As apurações apontam participação política na viabilização de aportes da RioPrevidência — estimados em mais de R$ 3 bilhões — no Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, além de suspeitas sobre pagamento de vantagens indevidas. Há ainda outra investigação recente que envolve irregularidades no setor de combustíveis e a Refinaria de Manguinhos (Refit).

O recuo eleitoral tem efeito imediato sobre o PP e o campo governista no Rio: a retirada força o partido a reorganizar candidaturas e abre espaço para disputas internas, em um momento em que o caso também alimenta desgastes diante do eleitorado. O TSE manteve condenação que resultou em inelegibilidade até 2030, e há recurso marcado para 2 de junho, o que adiciona imprevisibilidade jurídica e política ao calendário local e nacional.

Além do impacto partidário, o episódio expõe contradições institucionais e reitera o peso de operações federais na dinâmica eleitoral. A tentativa de forçar eleições indiretas e a renúncia do ex-governador, já vistas por opositores como manobra para preservar mandato, tornam o quadro eleitoral do Rio mais contestado. A retirada de Castro não encerra as investigações nem o custo político que as suspeitas podem gerar para aliados e para a narrativa oficial em direção a 2026.