O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) não compareceu à oitiva da CPI do Crime Organizado no Senado, alegando “lombalgia aguda” e dores intensas na região lombar, segundo nota divulgada por sua assessoria. A equipe informou que, por orientação médica, Castro deve suspender viagens e atividades presenciais no momento.

A falta de Castro na sessão marcou a terceira ausência do ex-governador na comissão. A CPI já havia tentado convocar o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em ocasiões anteriores, mas o Supremo Tribunal Federal considerou naqueles episódios que, por ainda estarem no cargo, não deveriam ser obrigados a depor. Após deixarem as funções, ambos foram novamente chamados. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o depoimento de Castro seria importante para oferecer um “panorama macroestratégico” sobre o combate ao crime organizado no estado.

A ausência ocorre no momento em que a comissão se prepara para votar seu relatório final, que, segundo o relator, pede indiciamentos de ministros do Supremo e do procurador-geral da República. Do ponto de vista político, a falta de testemunhas consideradas chave limita o alcance probatório da apuração e acende alerta sobre lacunas na instrução do processo parlamentar. A justificativa médica evita um embate público imediato, mas não dissipa o custo político de não prestar esclarecimentos diante de uma comissão em fase decisiva.

Com a pauta de votação final, parlamentares e observadores terão que ponderar o efeito das ausências no resultado político da CPI e na narrativa pública construída a partir do relatório. Resta à comissão decidir se as lacunas serão registradas no documento final ou se medidas complementares serão sugeridas para buscar os esclarecimentos que ficaram por dar.