A segunda fase da Operação Sem Refino teve como principal foco o ex-governador Cláudio Castro. Na ação deflagrada pela Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Petrópolis, incluindo a cobertura do político na Barra da Tijuca e a casa onde costuma passar fins de semana em Petrópolis.

A investigação busca elementos que liguem Castro a supostas fraudes na concessão de licenças ambientais à Refit, empresa apontada pela Receita Federal como a maior devedora de tributos do país, com dívidas da ordem de R$ 52 bilhões — posição que a própria Refit contesta. A companhia é atribuída a Ricardo Magro, que, segundo as apurações, reside nos Estados Unidos e é considerado foragido pela Justiça brasileira.

Entre os alvos está Bernardo Rossi, ex-deputado e ex-secretário estadual do Ambiente na gestão de Castro, apontado pelos investigadores como peça-chave no esquema de concessão de autorizações ambientais favoráveis à Refit. A operação também mirou nomes ligados ao entorno do governo, como o ex-secretário de Transformação Digital José Mauro de Farias Júnior, o advogado Antonio Carlos Santos, conhecido como Pipo, e o empresário Luiz Fernando Gomes, dono da Engeprat.

Investigadores suspeitam ainda que a propriedade em Petrópolis tenha sido envolvida em operações entre aliados: o empresário Luiz Fernando Gomes figura como proprietário legal do imóvel onde o ex-governador passa os finais de semana. A PF levantou nos autos um crescimento abrupto de contratos da Engeprat com o Estado — cerca de R$ 355 milhões, dos quais quase R$ 50 milhões sem licitação, segundo o material-base.

A apuração alcançou também um casal de empresários ligado à 7 Pilares Assessoria, acusados de movimentar valores possivelmente decorrentes das atividades associadas ao grupo investigado. Essas diligências ligam-se a outras frentes em que a Refit já apareceu nos últimos anos — entre elas as operações Carbono Oculto e Poço de Lobato — e ao afastamento, em março, do desembargador Guaraci de Campos Vianna pela Corregedoria Nacional de Justiça.

Do ponto de vista político, a nova fase da Sem Refino acende alerta sobre o ambiente institucional e amplia desgaste em torno do ex-governador. Os atos reforçam o escrutínio sobre eventuais favorecimentos a uma empresa que enfrenta acusações graves, e podem complicar a narrativa pública de aliados. O material-base não trouxe a íntegra da defesa de Cláudio Castro; a investigação segue em curso e não implica, até o momento, em condenação.