Mantendo o suspense sobre uma eventual candidatura ao governo de Minas, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) afirmou em entrevista publicada em 5 de junho que não pretende antecipar uma definição: só deve tratar do tema depois da Copa do Mundo. A postura serve para preservar o efeito de surpresa, segundo o próprio senador, e reduz a chance de uma declaração antecipada que, diz ele, diminuiria o impacto político de seu nome.

A sinalização entra em choque com o calendário traçado pela direção do PL em Minas: a cúpula estadual cobrava uma resposta nos próximos dias para organizar alianças e a logística eleitoral. A questão foi discutida em reunião no dia 3 de junho, quando o senador Flávio Bolsonaro visitou o estado e se encontrou com lideranças locais, entre elas o secretário-geral do PL mineiro, Domingos Sávio — que deixou claro, publicamente, a necessidade de não postergar a escolha até a véspera das convenções, previstas para começar em 20 de julho.

A indefinição de Cleitinho impõe custo político ao próprio partido: obriga o PL a desenhar planos alternativos, fricciona a articulação regional e consome tempo precioso da estratégia eleitoral. Para o senador, a atitude é calculada e sustenta sua narrativa de outsider; para a sigla, porém, cria ruído operacional e reduz o poder de manobra do comando partidário na montagem de palanques e negociações com aliados.

Além do timing, a entrevista expôs elementos da construção política de Cleitinho: ele relativiza critérios formais como escolaridade e aposta no apelo emocional do voto. Tecnicamente eficaz como tática individual, a opção de postergar a decisão alimenta incerteza interna e pressiona a liderança do PL a acelerar alternativas. A definição concreta ficou marcada para depois da Copa — e até lá, o impasse seguirá sendo um problema para a estratégia estadual.