O Republicanos de Minas caminha para lançar o senador Cleitinho como candidato ao governo do estado, com anúncio previsto para a véspera das convenções, após a Copa do Mundo. A chapa, segundo dirigentes estaduais, terá como vice Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, e a direção do partido já organiza estrutura de comunicação da campanha. Para o presidente estadual Euclydes Pettersen, a decisão tem "baixa chance" de ser revertida diante do desempenho do senador nas pesquisas e da cobrança interna de apoiadores.
Ao mesmo tempo, permanece em aberto uma possível composição com o PL, partido ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Conversas foram iniciadas e houve manifestação de interesse em 3 de junho, quando Flávio esteve em Minas, mas Cleitinho evitou se posicionar e anunciou chapa pura, contrariando expectativa do PL de indicar o vice. A legenda de Flávio segue com alternativas próprias — nomes como Vittorio Medioli e Flávio Roscoe têm circulação interna — o que dá à sigla caminhos que não dependem exclusivamente da costura com o Republicanos.
Do ponto de vista político, a definição de Cleitinho pela chapa própria preserva sua narrativa de autonomia — "não é de direita, nem de esquerda" — e mira o eleitorado popular fora da bolha bolsonarista. Para o PL, essa independência pode ser vista como qualidade eleitoral, mas também reduz a possibilidade de usar a plataforma do senador como simples réplica de pautas presidenciais. Se a aliança se confirmar, o Republicanos indicaria cabeça e vice e o PL teria a vaga de Domingos Sávio ao Senado; se as siglas optarem por candidaturas separadas, a disputa por espaços no Senado e o equilíbrio entre as federações serão reconfigurados.
O ritmo das negociações e a pressão dos apoiadores colocam na agenda a necessidade de decisão rápida: o calendário eleitoral exige que alianças e chapas estejam definidas às vésperas das convenções. Resta a Cleitinho — e ao grupo que o cerca — transformar apelo pessoal em bancada e costurar uma base ampla, sob risco de fragmentação do eleitorado e perda de capacidade de barganha nas indicações majoritárias.