O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, voltou a se posicionar publicamente pelo fim da chamada escala 6x1 e pela adoção da jornada 5x2. A defesa foi feita em vídeo publicado no X, antigo Twitter, com trecho de um discurso seu no plenário do Senado em que critica benefícios pagos a filhas solteiras de militares e aponta o gasto público como inadequado diante da realidade do trabalhador.

No mesmo post, o parlamentar citou um custo que coloca como exemplo do que classifica como despesa injustificada: R$ 6 bilhões em 2025, segundo sua fala. A crítica à manutenção desses pagamentos foi acompanhada de uma argumentação mais ampla sobre prioridades fiscais — tema que casa com a retórica de responsabilidade pública, mas que, paradoxalmente, o expôs a um ruidoso backlash nas redes.

Acabar com a escala 6x1 exige coragem e implica cortar benefícios que considero uma 'mamata'.

A reação do público foi variada. Parte dos comentários reconheceu coerência com pautas de defesa do trabalhador e saudou a iniciativa, inclusive entre perfis que costumam discordar dele. Outra fração, porém, acusou o senador de adotar posições associadas à esquerda por compartilhar uma proposta originada por parlamentares do PSOL e do PT — uma identificação que pode incomodar o eleitor conservador e os nichos tradicionais do Republicanos.

O dispositivo em debate é a PEC que propõe limitar a jornada a 36 horas semanais, de autoria de Erika Hilton (PSOL-SP) e apensada à proposta de Reginaldo Lopes (PT-MG), com previsão de permitir organização da semana em 5x2. Ainda em tramitação na Câmara, a proposta trouxe ao debate a tensão entre reivindicações trabalhistas e o argumento fiscal utilizado por Cleitinho para justificar sua posição.

Politicamente, a postagem expõe um dilema: ao defender cortes e mudanças que têm origem no campo opositor, Cleitinho corre o risco de enfrentar resistência dentro de sua base por quebra de rótulo partidário, ao mesmo tempo em que pode atrair eleitores indecisos que cobram ação sobre custos públicos. A repercussão mostra que, para além do mérito técnico da proposta, há custo político e necessidade de articulação clara sobre prioridades e estratégia eleitoral.

O argumento fiscal que trouxe — R$ 6 bilhões em 2025 — foi usado para mostrar que gastos assim penalizam o trabalhador.