Em discurso no Senado na terça (14/4), o senador Cleiton Gontijo, o Cleitinho (Republicanos), usou a tribuna para questionar a legitimidade do Congresso ao votar mudanças na jornada de trabalho. Ao comparar a rotina parlamentar com a realidade dos trabalhadores, defendeu que qualquer alteração na escala 6x1 precisa vir acompanhada de cortes no setor público.

O parlamentar apresentou números sobre o chamado “custo da política”, citando cerca de 71 mil cargos eletivos e estimativas de despesas que poderiam chegar a R$ 130 bilhões por ano. Com base nesses dados, condicionou compensações fiscais e ajustes trabalhistas à redução de gastos na máquina pública e propôs medidas como desoneração da folha e redução de impostos.

A fala de Cleitinho reforça um discurso de austeridade que acende alerta para a viabilidade política da proposta: ao exigir que o próprio Legislativo e os demais poderes promovam cortes, ele amplia o desgaste sobre o parlamento e complica a narrativa oficial de uma mudança voltada apenas ao bem-estar dos trabalhadores. O debate, que já tem repercussão nas redes e no Congresso, enfrenta resistência do setor empresarial, que pede alternativas de compensação.

Além da pauta fiscal, o senador reafirmou seu alinhamento à direita e apoio a Jair Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro, reforçando o recorte ideológico do seu posicionamento. A intervenção expõe uma contradição recorrente: a pressão por flexibilizar jornadas sem, simultaneamente, demonstrar disposição clara para enxugar o próprio custo político e administrativo. O recado coloca pressão sobre a condução do tema no Congresso.