O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) reagiu com dureza a uma imagem divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que o mandatário aparece retratado por meio de inteligência artificial numa cena com forte carga religiosa. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar qualificou o conteúdo como blasfêmia e convocou cristãos a refletirem sobre o significado de usar iconografia sagrada em mensagens políticas. A montagem mostrava Trump com vestes associadas a figuras religiosas, gesto de bênção, brilho nas mãos e um fundo que misturava símbolos nacionais e militares.

A postagem foi apagada ainda nesta segunda-feira, depois de ampla repercussão e críticas por suposto desrespeito religioso. Questionado na Casa Branca, Trump negou que a intenção fosse se assemelhar a Jesus e afirmou que a imagem buscava remeter a um médico ou a um trabalhador humanitário — declaração que não obteve, até o momento, um posicionamento adicional oficial da administração. Cleitinho lembrou que já manifestou apoio ao republicano em temas internacionais, como críticas a Ali Khamenei e Nicolás Maduro, mas disse não se sentir obrigado a concordar com todas as atitudes do presidente, sobretudo quando envolvem símbolos religiosos.

A reação do senador também foi dirigida a aliados e adversários dentro do espectro político: ao ser acusado por alguns críticos de estar 'com um pé na esquerda' por condenar a imagem, Cleitinho rejeitou a insinuação e respondeu com tom duro contra quem, segundo ele, distorce o debate. O episódio sucede uma sequência de declarações polêmicas de Trump, incluindo ataques ao papa e comentários beligerantes sobre política externa, que ampliaram desgaste junto a setores religiosos apesar do apoio histórico de parcela desse eleitorado ao ex-presidente.

Do ponto de vista político, a controvérsia acende um alerta sobre o custo de instrumentalizar símbolos religiosos em campanhas e comunicações presidenciais. Para Trump, a mistura de religiosidade e autopromoção pode corroer parte do respaldo conservador que lhe é tradicionalmente favorável; para Cleitinho, a postura serve para marcar independência e calibrar sua imagem perante eleitores conservadores no Brasil, ao mesmo tempo em que preserva espaço para críticas pontuais a um aliado em temas específicos.