A convenção nacional do Republicanos realizada em Brasília manteve a decisão de neutralidade da legenda em nível nacional — sem candidato à Presidência, sem indicação de vice e sem coligação nacional — mas teve momento de forte tensão quando o senador Cleitinho (Republicanos-MG) contrariou a direção e reafirmou que disputará o governo de Minas Gerais. Segundo relato de fonte presente, o senador fez apelo direto ao presidente nacional, Marcos Pereira, pedindo que lhe seja concedida a vaga estadual, numa fala a portas fechadas que reforçou o desgaste com a executiva.
O gesto ocorreu um dia após Cleitinho ter anunciado que desistiria da disputa estadual. Na segunda-feira, o senador apareceu emocionado ao lado de Marcos Pereira e explicou que ainda vivia o luto pela morte do irmão, Matheus Augusto Azevedo, ocorrida em julho por complicações de uma leucemia, e disse não ter condições emocionais para enfrentar uma campanha. A mudança de posição na convenção amplia a impressão de indefinição e complica a articulação interna da legenda em Minas.
Nos últimos dias a cúpula do Republicanos já vinha demonstrando preferência por apoiar outro projeto político no estado, diante da dificuldade em obter uma definição clara de Cleitinho. A maioria dos diretórios estaduais optou pela neutralidade na corrida presidencial como forma de preservar a unidade, mas o embate sobre a candidatura mineira expõe que essa neutralidade não resolveu disputas locais. Cleitinho tem ainda capital político no estado: ele afirmou possuir cerca de 40% de apoio, e levantamentos recentes o colocam entre os nomes de destaque na direita mineira, fato que alimenta seu argumento para seguir na disputa.
O impasse coloca o Republicanos diante de escolhas difíceis. Impor uma decisão contrária ao senador pode gerar fragmentação e afastar sua base em Minas; ao mesmo tempo, aceitar sua insistência pode desequilibrar articulações regionais e a estratégia por apoios locais. Para a direção nacional, o desafio será conciliar a preservação da unidade formal com a necessidade de resolver um conflito que pode custar musculatura eleitoral ao partido no estado. Nos próximos dias, a definição sobre a candidatura em Minas será um termômetro da capacidade do Republicanos de administrar dissensos e minimizar o custo político de uma crise interna.