O senador Cleitinho de Azevedo (Republicanos-MG) anunciou nesta segunda-feira que não será candidato ao governo de Minas Gerais. A decisão foi comunicada após reunião em Brasília com o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, e o presidente estadual, Euclydes Pettersen. O parlamentar justificou a retirada pela necessidade de recuperação emocional após a perda do irmão, Matheus Azevedo, vítima de complicações de leucemia, e afirmou não ter condições psicológicas para entrar na campanha.
O episódio encerra um impasse interno que vinha desde a ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda e de reações do partido sobre a liderança da candidatura. O Republicanos afirmou que trabalhou para viabilizar a postulação, mas que a iniciativa não foi formalmente consolidada pelo próprio senador. Na última semana, o parlamentar chegou a voltar atrás e anunciar candidatura com Eduardo Falcão como vice, além de buscar apoio do PL, o que revela a inconstância que marcou a pré-campanha.
Do ponto de vista eleitoral, a saída do favorito nos levantamentos até agora altera o tabuleiro. Pesquisa Quaest divulgada na última semana aponta Alexandre Kalil (PDT) com 15%, Patrus Ananias (PT) com 13% e o governador Mateus Simões (PSD) com 9% — números que, com margem de erro de três pontos, indicam um cenário mais fragmentado e competitivo sem Cleitinho. A retirada tende a redistribuir votos e a obrigar partidos e alianças a recalcular estratégias num estado chave para 2026.
Politicamente, a desistência expõe a fragilidade organizacional do Republicanos em Minas e pressiona eventuais aliados a definirem rapidamente nomes e acordos. Para o eleitor, representa um retrato momentâneo de volatilidade: a pesquisa mostra quem liderava, mas não garante sucessão automática. Resta ao partido decidir se articula um candidato alternativo competitivo ou se busca composição, enquanto a corrida ao Palácio Tiradentes reabre com mais incertezas e demanda reação rápida das principais forças.