Ao defender a aprovação da PEC que elimina a escala de trabalho 6x1, o senador Cleitinho Azevedo colocou em primeira linha um argumento que une apelo social e custo político: restituir dias de descanso e dignidade a trabalhadores que, segundo sua narrativa, enfrentam jornadas exaustivas e baixos salários. No plenário, o parlamentar buscou um apoio amplo à proposta e expôs a discrepância entre a rotina do cidadão comum e os privilégios parlamentares, transformando a aprovação em um gesto simbólico com repercussão eleitoral.
A matéria recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, e inclui a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. A votação foi tratada como prioridade pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que amplifica o valor político do resultado às vésperas do segundo turno. Ao mesmo tempo, a tramitação mostrou fissuras: sessões esvaziadas pela oposição, articulação para adiar a votação e críticas de que a iniciativa teria caráter oportunista no calendário eleitoral.
Cleitinho também condicionou a mudança a medidas de alívio para o setor produtivo, citando desoneração da folha e redução de tributos como compensações necessárias para evitar custos adicionais às empresas. Esse pedido coloca o Congresso diante de um dilema fiscal e administrativo: aprovar uma reivindicação trabalhista com alto apelo popular sem detalhar, agora, como serão mitigados os efeitos sobre o mercado de trabalho e as finanças das empresas. A posição do senador evidencia a tentativa de costurar consenso entre trabalhadores e empregadores, mas deixa em aberto a origem dos ajustes fiscais.
A votação expõe ainda riscos futuros: líderes que se opuseram ou tentaram postergar o texto já anunciam alternativas — como a proposta de flexibilização defendida por Rogério Marinho — e há chance de que um novo Congresso em 2027 retome a agenda com propostas distintas. Para o governo e para a oposição, o resultado funciona como termômetro político: sinaliza força para quem defende a mudança e aumenta a pressão sobre parlamentares que precisarão explicar aos eleitores eventuais recuos ou a falta de medidas compensatórias. Em suma, a aprovação encerra uma etapa legislativa, mas abre uma frente de custos políticos e econômicos que o Legislativo terá de enfrentar.