O senador Cleitinho de Azevedo (Republicanos) disse, em coletiva em Brasília, que o vídeo em que anunciou a desistência da disputa ao governo de Minas foi gravado “em dúvida” e que tentou impedir a divulgação pelo presidente nacional do partido, Marcos Pereira. Depois de afirmar que pretende reverter a decisão, o parlamentar pediu reunião com a cúpula para tentar retomar a candidatura às vésperas do prazo final para convenções, que encerra nesta quarta-feira (5).
Segundo a versão de Cleitinho, ele havia gravado a declaração num momento de fragilidade pessoal e buscou apoio da família para seguir na disputa. O vídeo original, gravado após reunião com dirigentes do partido em Minas e nacional, foi divulgado por Pereira, que na gravação ressaltou que o Republicanos deu condições para viabilizar a candidatura e que a decisão fora do senador.
O episódio expõe uma dissociação pública entre a base eleitoral e a direção partidária, num momento crítico para as costuras eleitorais em Minas. A sinalização de que Cleitinho pode tentar reverter o recuo — e até avaliar eventual saída do partido, conforme suas falas — cria incerteza sobre o nome que o Republicanos terá no estado e complica negociações com aliados, como o PP e o PL, além de abrir espaço para alternativas como a postulação de Marcelo Aro (PP).
Com o relógio das convenções correndo, a disputa entre senador e comando nacional tem custo imediato: pressiona Marcos Pereira a decidir rapidamente e testa a capacidade do partido de manter unidade em um cenário eleitoral já sensível. A definição nas próximas horas dirá se o Republicanos consegue acomodar a vontade do parlamentar ou se o desencontro se traduzirá em perda de espaço e desgaste institucional.