O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) subiu à tribuna do Senado para pedir desculpas por ter posado para uma foto ao lado da influenciadora Virginia Fonseca durante o depoimento dela, em maio passado, na CPI das Bets. Segurando a reprodução do registro, o parlamentar disse ter sido "um idiota" ao atender a um pedido da própria filha para tirar a fotografia.
A retratação, segundo Cleitinho, ocorreu depois de ser abordado por um cidadão que afirmou admirar o trabalho do senador, mas relatou profunda decepção ao ver a foto: o homem disse que quase perdeu a família e chegou a tentar tirar a própria vida por causa do vício em apostas. "Não vou nunca ocultar o erro", afirmou o senador, que ressaltou não ter sido acusado de práticas ilícitas ou desvio de recursos no exercício do cargo.
Na fala, Cleitinho atribuiu ao Congresso a responsabilidade pela expansão do jogo no país, afirmou ter votado contra a autorização das apostas eletrônicas e disse que tem atuado em Brasília contra a regulamentação que abre espaço a cassinos. O senador também citou dados da Klavi, segundo os quais brasileiros gastaram R$ 507 milhões em apostas durante a participação do país na Copa do Mundo, e afirmou ter enviado um áudio a Virginia pedindo que ela interrompesse a divulgação de plataformas de apostas.
O episódio expõe uma contradição entre a postura pública do parlamentar e um gesto que teve repercussão negativa junto a eleitores afetados pelo problema das apostas. A retratação pública busca recompor imagem e demonstrar sensibilidade, mas também coloca em evidência o custo político — ainda que não jurídico — de episódios que aproximam figuras públicas de setores com impacto social controverso. Para além do pedido de desculpas, a discussão sobre a regulamentação das apostas e seus efeitos sociais segue como ponto de pressão sobre o Congresso.