O senador Cleitinho (Republicanos-MG), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, voltou a defender nas redes sociais o fim da escala 6x1 e a adoção da escala 5x2 sem redução salarial, pedindo que o tema seja votado ainda neste ano. Em postagem desta segunda-feira (6/4), o parlamentar incentivou seguidores a “recorde de compartilhamento” para pressionar deputados e senadores a aprovarem a proposta.
A iniciativa tinha tom social, segundo o próprio senador, mas encontrou resistência imediata entre parte dos apoiadores. Nos comentários, empresários e trabalhadores alertaram que a mudança, sem ajustes tributários ou incentivos, pode elevar custos de operação e tornar inviáveis pequenos negócios que já enfrentam dificuldades para fechar a conta.
Defendi o fim da escala 6x1 como uma pauta humana que atinge trabalhadores de todas as orientações políticas.
A crítica também veio de dentro do campo político de direita. O deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ) reagiu publicamente, descrevendo a proposta como repetição de promessas anteriores com efeitos práticos questionáveis, e advertiu que reduzir dias de trabalho sem corte salarial pode pressionar contratações e aumentar a informalidade. Lima sugeriu que Cleitinho converse com comerciantes locais para avaliar o impacto real sobre emprego e folha.
O episódio expõe um dilema político para o senador: ao defender uma pauta com apelo trabalhista, ele busca ampliar base social, mas corre o risco de aprofundar atritos com o setor produtivo e com eleitorado conservador sensível ao discurso pró-empresas. Para um pré-candidato estadual, reclamações públicas de empresários e aliados podem complicar costura de alianças e o discurso de responsabilidade econômica.
No plano legislativo, a proposta exigiria estudos de impacto e alternativas para mitigar custos aos empregadores; no político, o movimento fortalece o debate sobre quem arca com a conta da flexibilização da jornada. Mais do que uma iniciativa normativa, a ofensiva de Cleitinho revela tensão entre estratégia eleitoral e viabilidade econômica, abrindo espaço para crítica e contra-argumentos em Brasília e em Minas.
Críticos alertam que reduzir dias de trabalho sem ajuste nos custos pode elevar desemprego e informalidade no comércio.