O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), pediu publicamente que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP) deixe de privilegiar a voz do senador Rogério Marinho nas decisões sobre a escala 6x1 e a jornada de trabalho. Em entrevista à CNN, Cleitinho afirmou que Flávio deveria procurar ouvir lideranças mineiras que, segundo ele, conhecem melhor a realidade e as demandas do estado.

A divergência é evidente: Cleitinho defende o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem perda salarial, enquanto Marinho, coordenador da campanha de Flávio, tem criticado essa perspectiva e apresentado alternativa que aposta na negociação entre empregador e trabalhador. A proposta do senador prevê jornada flexível, remuneração proporcional às horas trabalhadas e prevalência do contrato individual sobre acordos coletivos, com benefícios calculados proporcionalmente.

Marinho também sustenta que reduzir a jornada mantendo salários aumentaria custos de produção e poderia pressionar os preços ao consumidor. O choque entre as posições cria um dilema prático para a campanha: manter a linha defendida pelo coordenador nacional ou acomodar líderes regionais com peso eleitoral, como o próprio Cleitinho, que se apresentou ao país com cerca de 6,3 milhões de votos e vitória em quase todas as cidades mineiras.

Politicamente, a movimentação do governador eleito funciona como alerta sobre a necessidade de conciliar discurso nacional com sensibilidades locais. Apesar do desgaste verbal, Cleitinho reafirmou apoio à candidatura de Flávio, mas deixou claro que espera ser ouvido — sinal de que a costura interna exigirá ajuste fino para evitar perda de tração em Minas e desgaste adicional na agenda trabalhista do bloco.