O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), virou alvo de críticas no universo bolsonarista depois de publicar um vídeo ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No registro, Cleitinho anunciou que o projeto que prevê o fim da escala 6x1 voltará ao Plenário e será votado na próxima quarta‑feira, 14 de outubro — uma pauta que ele diz defender há três anos.

Em resposta às reclamações de eleitores, o governador eleito argumentou que nunca apoiou Alcolumbre para a presidência do Senado e que já fez campanha contra ele; ainda assim, afirmou tratar o gesto como institucional e necessário para que suas proposições possam avançar enquanto Alcolumbre ocupa a mesa até dezembro. Ajuste pragmático, segundo Cleitinho, para viabilizar a votação do seu projeto.

A movimentação expôs fissuras na direita: perfis alinhados a Bolsonaro classificaram o gesto como ‘traição’ e lembraram que mudanças na escala trabalhista já são debatidas com reflexos eleitorais, inclusive favoráveis ao presidente Lula, segundo comentários públicos. O próprio Alcolumbre enfrenta críticas recorrentes entre correligionários de direita por não ter pautado pedidos de impeachment contra ministros do STF, o que agrava a irritação em setores conservadores que veem alinhamentos estratégicos com reservas.

Além do confronto político, a posição de Cleitinho tem dimensão pessoal e simbólica: ele tem defendido o fim da escala 6x1 com base em histórias de família e na experiência pessoal do trabalho em comércio e da perda do pai em abril de 2024. A combinação entre iniciativa legislativa legítima e custo político real — perda de apoio em parte da base bolsonarista e necessidade de explicar o gesto — acende alerta para a gestão do governador eleito, que terá de equilibrar atender pautas sociais com a manutenção de apoio entre eleitores conservadores em Minas.