A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou nesta segunda-feira, em Brasília, um documento com prioridades setoriais a três pré-candidatos à Presidência: Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). A peça, intitulada Construindo o Brasil 2050, busca firmar uma pauta industrial capaz de orientar governantes e cobrar compromissos de médio e longo prazo.

No texto, a entidade reconhece avanços recentes, como o programa Nova Indústria Brasil lançado em 2024, mas sustenta que a iniciativa não foi suficiente para elevar a produtividade do setor. A CNI também chama atenção para a natureza do crescimento do emprego — ampliado nos últimos anos, porém concentrado em ocupações de menor remuneração — e para o processo de desindustrialização que se arrasta desde a década de 1980.

A confederação estrutura sua agenda em três pilares: preservação da macroeconomia para crescimento sustentável, políticas públicas viáveis de desenvolvimento produtivo e a redução do Custo Brasil para melhorar o ambiente de negócios. Entre as prioridades técnicas estão marcos para hidrelétricas reversíveis, economia circular e fortalecimento de agências reguladoras. A CNI aponta ainda o patamar elevado da Selic, hoje em 14,25% ao ano, como freio direto à expansão do crédito e dos investimentos.

O recado aos presidenciáveis tem tom político claro: sem respaldo institucional, estabilidade normativa e alinhamento fiscal com política monetária, as propostas correm risco de virar programas episódicos. Para a indústria, isso significa perpetuar perda de competitividade, menor geração de empregos qualificados e um desafio adicional para qualquer projeto de crescimento que chegue ao Executivo a partir de 2027.