O especialista em Política e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Pablo Rolim, pediu mais tempo para a discussão sobre o fim da escala 6x1, criticando o ritmo acelerado do debate no Congresso. Em painel promovido pelo Correio Braziliense, com apoio do Sistema Indústria e da CNT, Rolim afirmou que um prazo curto pode levar a decisões mal calibradas, com impactos econômicos e sociais que ainda não foram totalmente avaliados.
A CNI trouxe números que, se confirmados, implicam aumento de custos ao consumidor e pressão inflacionária setorial: alta estimada de 6,2% no custo ao consumidor final, com aumento de 5,7% em alimentos, 7,2% em produtos adquiridos pela internet e 6,6% em vestuário. A entidade também projeta uma queda de 1,2% no PIB industrial decorrente da nova regulamentação — sinais que, para Rolim, exigem exame técnico mais aprofundado antes de qualquer mudança legal.
Além do efeito direto sobre preços, o especialista apontou que a extinção da escala poderia obrigar empresas a contratar mais trabalhadores, pressionando o mercado de trabalho e elevando custos com folha. A necessidade de investimentos em inovação e automação para compensar ganhos de escala também foi citada como possível consequência, num contexto em que o país enfrenta problemas de produtividade persistentes há décadas.
Na leitura política, o alerta da CNI coloca pressão sobre parlamentares e o Executivo: a votação em prazo curto pode expor contradições entre objetivos sociais e impactos econômicos, exigindo ajustes técnicos e negociações mais longas. O debate do Correio está disponível no canal oficial do jornal no YouTube e reforça a necessidade de compatibilizar direitos trabalhistas com sustentabilidade econômica antes de qualquer decisão final.