O Conselho Nacional de Justiça formou maioria, nesta terça-feira, para afastar Gabriela Hardt de suas funções como magistrada. Conhecida por assumir a 13ª Vara Federal de Curitiba em 2018, quando substituiu Sérgio Moro no comando de parte dos processos da Lava Jato, a juíza passou a ser alvo de um processo administrativo disciplinar que investiga sua atuação em um esquema relacionado ao destino de recursos recuperados pela operação.

O PAD apura a participação de Hardt na tentativa de criar uma fundação privada destinada a gerir ou receber valores oriundos das ações de recuperação de ativos da Lava Jato. Foi esse ponto – a articulação em torno de um veículo privado para lidar com dinheiro resultante da investigação – que motivou a abertura do processo e a decisão do CNJ de afastar temporariamente a magistrada enquanto o caso é avaliado.

Além do risco pessoal para a carreira da juíza, a movimentação do CNJ tem implicações institucionais claras: a controvérsia questiona mecanismos de governança sobre recursos públicos e recuperados, e expõe um ponto sensível da herança da Lava Jato. O episódio amplia o debate sobre transparência e compatibilidade entre atuação judicial e iniciativas extracurriculares que envolvam ativos recuperados, reforçando a necessidade de regras claras para evitar conflitos de interesse.

O caso seguirá no rito administrativo do Conselho, com a análise das provas e manifestações previstas no processo. A decisão do CNJ de afastar Hardt enquanto o PAD tramita sinaliza uma postura mais enfática de fiscalização interna, mas também abre espaço para disputas judiciais e políticas sobre limites e consequências disciplinares para integrantes do Judiciário.