Registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — revelados pela revista piauí — apontam uma nova transferência de Daniel Vorcaro ao fundo Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025, no valor de US$ 1.666.667. O movimento eleva, segundo a apuração, os aportes conhecidos do banqueiro na produção de Dark Horse de US$ 10,6 milhões para cerca de US$ 12,3 milhões, cifra que na cotação da época superaria R$ 65 milhões.
A reportagem também recupera mensagens que indicam a possibilidade de outro pagamento no mês seguinte. Em conversas obtidas pela revista, o publicitário que auxiliava na captação cobrou a liberação de parcelas e recebeu a confirmação de que um novo repasse havia sido autorizado. Se confirmado, esse aporte elevaria o total investido por Vorcaro na produção para aproximadamente US$ 14 milhões, dentro de um acordo que previa US$ 24 milhões.
As informações contrariam declarações públicas do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que afirmou em ocasiões diferentes não manter contato com Vorcaro e, mais tarde, afirmou que a estrutura financeira ligada ao fundo estava encerrada e sob supervisão da SEC. Documentos oficiais consultados pela reportagem indicam que o Havengate não registra controle pela SEC e segue ativo em arquivos fiscais do Texas. A assessoria do senador remeteu questões à produtora e evitou esclarecimentos diretos sobre pagamentos.
Além do aspecto de coerência nas versões, os novos dados complicam politicamente a campanha de Flávio Bolsonaro: a divergência entre as declarações e os registros financeiros acende alerta e amplia desgaste, ao mesmo tempo em que fortalece o pano de fundo das investigações da Polícia Federal. A apuração aponta ainda que parte das remessas passou por intermediários, incluindo o doleiro mencionado na reportagem, o que amplia a necessidade de explicações públicas e de respostas formais das partes envolvidas.