O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) colocou sob suspeita repasses de R$ 27,2 milhões feitos pelo Banco Master ao site Metrópoles no período entre 2024 e 2025. Segundo o relatório, parte desses recursos foi imediatamente transferida para outras empresas vinculadas ao empresário Luiz Estevão, padrão que o órgão classificou como atípico.

As comunicações que embasam o relatório partiram da Caixa Econômica Federal, que identificou incompatibilidade entre o volume movimentado e o faturamento médio mensal da Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA. O Coaf qualifica alguns aportes como “inusitados” e destaca operações em que havia crédito seguido de débito imediato, prática que costuma ser associada à dispersão de recursos.

O Coaf identificou movimentações atípicas e transferências imediatas para empresas vinculadas a um mesmo grupo familiar.

No conjunto analisado, o Banco Master aparece como principal fonte de receita do veículo em 2025, com repasses isolados que chegaram a R$ 5,7 milhões. As transferências teriam começado em janeiro de 2025. Luiz Estevão defendeu a legalidade das operações, alegando que os valores se referiam a patrocínio do Will Bank e a negociação de naming rights para a Série D do Campeonato Brasileiro; os pagamentos, segundo o material, foram interrompidos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Os achados do Coaf levantam questões concretas sobre controles internos e compliance — tanto nas instituições financeiras quanto no meio de comunicação beneficiado. Padrões de movimentação como os descritos obrigam a uma resposta clara sobre contratos, origem dos recursos e critérios de due diligence adotados antes da formalização dos pagamentos.

Do ponto de vista institucional e político, o caso expõe risco reputacional para as empresas envolvidas e ressalta fragilidades no monitoramento de operações de grande vulto. A transparência exigida pela administração pública e pelo mercado financeiro impõe que os órgãos competentes aprofundem verificações e que o próprio setor reveja práticas para evitar reutilização de canais que possam mascarar destinação final de recursos.

Luiz Estevão afirmou que as operações eram legais e que os recursos decorriam de patrocínio e negociação de naming rights.