Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtidos pelo Estadão, trazem luz sobre repasses milionários vinculados ao Banco Master para a empresa Leo Dias Comunicação e Jornalismo. Entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, o banco comandado por Daniel Vorcaro realizou seis transferências diretas que somam R$ 9,9 milhões; no mesmo período, a empresa recebeu mais R$ 2 milhões por meio da LD Produções, firma associada a empresário próximo ao banqueiro.

O material do Coaf detalha que, em 15 meses, a empresa do jornalista movimentou R$ 34,9 milhões em entradas e R$ 35,7 milhões em saídas, e que os repasses do Master correspondem a 28% do total recebido. O órgão aponta indícios de operações sem causa aparente — pagamentos por boletos em benefício de terceiros, créditos imediatamente debitados e movimentação superior à capacidade financeira declarada da empresa — elementos que colocam a rotina financeira sob escrutínio.

Os relatórios do Coaf identificam indícios de movimentações em benefício de terceiros, operações sem causa aparente e recebimento de créditos com débito imediato.

Além das transferências diretas, os documentos mostram vínculo indireto entre atores do entorno do banco e empresas que receberam fundos. A LD Produções, ligada a Flávio Carneiro (próximo a Vorcaro), recebeu R$ 3,7 milhões, dos quais R$ 3,3 milhões vieram do Master. Há registros de relações societárias e de negócios que aproximam Carneiro de Fabiano Zettel, operador financeiro do banqueiro, e apontam fluxo de recursos entre companhias do mesmo ecossistema.

O relatório também registra repasses feitos pela empresa de Leo Dias à Foone Serviços Internet, que teve entre seus sócios Carneiro e Zettel em determinado momento. Em outubro do ano passado, a empresa do jornalista teve mudança societária — conversão para sociedade anônima e alteração do quadro societário — medida que restringiu o acesso público às informações sobre composição acionária.

Os documentos e as conexões mapeadas pelo Coaf reforçam um quadro que acende alerta sobre transparência e origem de recursos em operações envolvendo mídia e financiamento privado. Para além das perguntas técnicas, o episódio amplia desgaste político e reputacional para as partes citadas e coloca na agenda pública a necessidade de explicações claras sobre contratos, prestação de serviços e eventuais contrapartidas.

A assessoria afirmou que as tratativas com o grupo Moriah foram estritamente comerciais e que Thiago Miranda não exerce funções de gestão desde junho de 2025.