A coligação Brasil Pronto pra Mais, alinhada à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação contra a propaganda do candidato Flávio Bolsonaro (PL) que atribui ao atual governo a criação e a legalização de cassinos on-line. No pedido, a coligação diz que a peça busca induzir o eleitor ao erro e requereu a retirada do conteúdo, aplicação de multa e direito de resposta durante o horário eleitoral.
A peça em questão repete a expressão que virou mote na campanha de Flávio — chamando Lula de 'pai do Tigrinho' — e afirma que o presidente teria colocado jogos de azar digitais no mercado, com consequências sociais como vício e endividamento. Segundo a representação, essa versão omite o contexto legislativo: a modalidade de apostas de quota fixa foi autorizada em 2018 pela Lei nº 13.756, e a regulamentação que incluiu jogos on-line no marco legal só foi sancionada em 2023, já no governo Lula.
O episódio joga luz sobre uma disputa central da campanha: Flávio tem usado o tema como argumento para criticar a administração petista e defender o fim das plataformas de apostas, enquanto o governo discute medidas de restrição ao setor. A ação no TSE busca estancar uma narrativa que, na avaliação da coligação, distorce a cadeia de responsabilidades entre Legislativo e Executivo e transforma atos de regulamentação em culpa exclusiva do Executivo atual.
A medida tem implicações políticas imediatas. Se acatada, pode limitar o uso do tema nas peças do PL e forçar uma retratação pública, além de configurar um recado institucional sobre o limite entre crítica eleitoral e desinformação. Independentemente do desfecho judicial, a disputa revela o esforço de ambos os lados para transformar um tema técnico de regulação em munição política na corrida eleitoral.