A coligação que sustenta a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de caráter preventivo: suspender, de imediato, os efeitos do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral que anulou 274.411 votos de Anthony Garotinho. A medida visa barrar a retotalização que, na prática, pode plantar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno e inviabilizar a realização do segundo turno, previsto para 25 de outubro.
No recurso encaminhado ao STF, os advogados da coligação sustentam que a exclusão dos votos macula a expressão da vontade popular e altera artificialmente o cálculo usado para definir se há necessidade de uma segunda rodada. A defesa argumenta que, ainda que um registro indeferido não beneficie o candidato, os votos devem permanecer no denominador que determina a maioria absoluta exigida para evitar o segundo turno — e pede liminar justamente para manter esse efeito até o julgamento final do mérito.
O pedido se apoia também em precedentes e nas divergências internas do próprio TSE: o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva destacou que, contabilizados os votos atribuídos a Garotinho, Douglas Ruas não alcançaria os 50% exigidos, ficando em 49,27%. A coligação lembra, além disso, decisão anterior do presidente do TSE, Nunes Marques, que havia determinado a manutenção temporária da contagem enquanto o colegiado deliberava — mudança posterior que, segundo os peticionários, compromete a segurança jurídica do processo eleitoral.
A ofensiva jurídica tem caráter político-prático. Se o STF conceder a liminar, o calendário eleitoral e a organização da propaganda voltariam a pressupor a realização do segundo turno, preservando a mobilização das campanhas e evitando decisões que só seriam revertidas quando já fosse tarde para reorganizar a logística de votação. Caso contrário, a eventual declaração de vitória no primeiro turno imposta pela retotalização pode gerar impasse jurídico e político, com efeitos sobre a legitimidade do eleito e sobre a percepção pública de estabilidade do pleito no estado.
No pedido ao Supremo, a coligação solicita ainda que o processo seja distribuído a ministros que não participaram do julgamento no TSE e busca excluir, quando possível, magistrados que já integraram a análise no tribunal eleitoral. O desfecho é incerto e dependerá da avaliação de urgência feita pela corte. Enquanto isso, a disputa no Rio entra numa fase decisiva: a movimentação no STF acende alerta e complica a narrativa favorável a uma vitória antecipada de Ruas, mantendo em aberto as implicações políticas para líderes locais, para o governo e para a estratégia das campanhas até a próxima rodada de votação.