Instalada em 29 de abril, a comissão especial da Câmara que examina o fim da escala 6x1 iniciará trabalho com ritmo acelerado e a meta de apresentar proposta até o final de maio. Presidida pelo deputado Alencar Santana (PT-SP), a comissão programou ao menos duas reuniões semanais, além de sessões extras e audiências públicas fora de Brasília, numa tentativa de produzir rapidamente um relatório com respaldo político e técnico.
As propostas em análise incluem emendas constitucionais que preveem redução da jornada semanal para até 36 horas e a substituição do atual modelo de seis dias trabalhados por um dia de descanso. Desde o início das discussões houve sinalização majoritária a favor de mudanças e também defesa explícita da redução sem queda salarial. O colegiado pretende ouvir ministros, entidades sindicais, confederações empresariais, pesquisadores e especialistas para embasar o texto final.
O ritmo e o conteúdo do debate colocam desafios concretos. A exigência de preservar salários, se concretizada, imporá ajuste de custos para empresas e possivelmente para setores intensivos em mão de obra, bem como demandas por contrapartidas regulamentares. Do ponto de vista institucional, a proposta obriga o governo a apresentar estudos econômicos e impactos fiscais claros; sem esses elementos, o projeto corre o risco de gerar conflito entre deputados favoráveis à pauta social e aliados preocupados com responsabilidade fiscal e ambiente de negócios.
Politicamente, a iniciativa ganha força pelo calendário — maio, mês do Dia do Trabalhador — e pela convergência inicial no colegiado. Mas maioria em comissão não garante encaminhamento idêntico no plenário. Nas próximas semanas ficará evidente se o relatório será construído com dados técnicos que convençam empresários e o Executivo, ou se seguirá como bandeira legislativa que amplia pressão sobre empregadores e complica a gestão da agenda econômica do governo.