A reunião da Comissão Mista que analisaria a medida provisória que zera o imposto de importação sobre remessas até US$ 50 — a chamada "taxa das blusinhas" — foi remarcada para 1º de setembro por ausência de acordo sobre quem ocupará a presidência e a relatoria do colegiado. Pelo rodízio, a indicação da presidência caberia à Câmara e a relatoria ao Senado; entre os cotados para presidir estavam os deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Jadyel Alencar (Republicanos-PI).

O governo havia manifestado preferência pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) como relator, mas ele recusou. Na quarta-feira (13/8) o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), chegou a abrir a reunião, adiou a definição para o fim da tarde e, em seguida, a sessão foi reagendada para setembro, segundo fontes do próprio Congresso.

A postergação joga a MP em um prazo apertado: para evitar que a tributação seja restabelecida, o texto precisa ser aprovado pela comissão e pelos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro. Com a nova data, o colegiado terá, na prática, apenas sete dias úteis para fechar composição, votar o relatório e encaminhar a votação nas Casas — uma janela curta que aumenta a incerteza sobre o futuro da proposta.

A medida, publicada em maio, veio após o governo arrecadar R$ 1,8 bilhão com o tributo nos quatro primeiros meses do ano. Consumidores defendem o fim da taxa por representá‑la sobre compras de baixo valor feitas em plataformas internacionais; varejistas alertam para a concorrência desigual com o comércio nacional e pleiteiam isonomia tributária. O adiamento expõe não só o desgaste político na condução do tema no Congresso, mas também eleva o risco de perda de agenda para o Executivo num momento em que a solução exigir rapidez institucional.