A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara aprovou nesta terça-feira (27/10) requerimentos para ouvir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a lobista Roberta Luchsinger. A data das oitivas ainda não foi fixada; os pedidos têm caráter de prestar esclarecimentos sobre fatos que vinham circulando na esfera política e judiciária.
No caso de Luchsinger, o requerimento busca explicações sobre declarações que ela tem feito a respeito de supostas ameaças, coação e tentativas de silenciamento que diz ter sofrido, além de elementos relacionados às investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha". O autor do pedido na Câmara afirmou esperar colher informações que ela possa apresentar em defesa e em esclarecimento dos fatos.
O convite a Andrei Rodrigues tem foco distinto: o diretor-geral da PF foi chamado a detalhar referências ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, incluindo menções ao seu nome em mensagens obtidas pela investigação, bem como eventuais relações com o ex-banqueiro e alegadas tratativas de colaboração premiada. O teor dos requerimentos coloca a direção da corporação sob escrutínio parlamentar.
Paralelamente, senadores e deputadas alinhadas à oposição e a setores mais conservadores reúnem assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que ampliaria a investigação sobre Luchsinger e Lulinha. A proposta pretende apurar possíveis práticas de tráfico de influência, favorecimento indevido, conflitos de interesse e uso da máquina pública para interesses privados — acusações graves que, se levadas adiante, ampliariam o impacto político do caso.
Luchsinger e Lulinha já são alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal que tratam de suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro, além de apontamentos sobre favorecimentos a empresários e lobistas como Antônio Carlos Camilo Antunes. A movimentação no Parlamento sinaliza aumento da pressão institucional e política: além de buscar respostas, a Câmara pode contribuir para a politização de um conjunto de inquéritos que já tramita na esfera judicial, o que tem potencial de repercutir na agenda do governo e no debate público.