A comissão especial da Câmara que analisa o fim da escala 6x1 inicia nesta semana uma sequência de audiências públicas em Brasília. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abre os debates na terça-feira (12/5) para apresentar estudos econômicos sobre efeitos da proposta; na quarta (13/5) é a vez do ministro da Secretaria‑Geral, Guilherme Boulos, que deve tratar dos impactos sociais e da interlocução entre governo, empresários e trabalhadores. Participam também representantes do Ipea, do Dieese, auditores‑fiscais e pesquisadores convidados.
O foco técnico será o balanço entre ganhos de qualidade de vida e o custo para empresas e contas públicas. O governo já anunciou que defenderá a redução da jornada sem diminuição salarial, mas os documentos apresentados por Durigan precisarão detalhar estimativas sobre aumento da folha, efeitos na produtividade e eventuais compensações fiscais — pontos que interessam tanto ao mercado quanto à bancada de apoio.
No plano social, Boulos deve enfatizar argumentos sobre saúde, bem‑estar e conciliação entre vida profissional e pessoal, mensagens reforçadas por movimentos como o Movimento Vida Além do Trabalho, hoje uma das vozes públicas contra o esquema 6x1. As audiências incluirão relatos de experiências empresariais que adotaram modelos alternativos e seminários em São Paulo e no Rio Grande do Sul ao longo da semana.
Politicamente, o cronograma é apertado: o relatório do deputado Leo Prates está previsto para 20 de maio, com votação na comissão até 26, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou intenção de levar a proposta ao plenário ainda este mês. O avanço acelera a pressão sobre empregadores e sobre a base governista, e acende alerta sobre o custo político de aprovar mudança com impactos orçamentários pouco explicitados.
Resta ao debate parlamentar transformar opiniões em números: sem transparência sobre custos e mecanismos de transição, a proposta corre o risco de gerar resistência empresarial, dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal e desgaste político para quem a defender. As próximas audiências serão decisivas para traduzir o tema em cenário concreto de votação.