O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, será o primeiro a depor na Comissão Especial que analisa a proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala 6x1. A oitiva está marcada para esta quarta-feira (6), às 14h, no plenário 2 da Câmara dos Deputados e abre a série de audiências públicas do colegiado. O convite ao ministro foi anunciado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), logo após a aprovação em bloco dos requerimentos.

A presença de Marinho dá corpo ao esforço do relator em transformar a comissão em um espaço de interlocução. Prates, que por diversas vezes ressaltou a importância de ouvir todas as frentes, aposta que debates com o governo e representantes setoriais ajudem a legitimar um caminho consensual — ou ao menos a mapear divergências factuais sobre jornada e direitos trabalhistas.

Mas a pauta tem potencial para gerar desgaste político. A discussão sobre a escala 6x1 toca em reivindicações históricas de trabalhadores e em custos operacionais para empregadores; a forma como o governo e o Congresso lidarem com o tema pode produzir reação de centrais sindicais, pressão do setor produtivo e impacto na narrativa de responsabilidade fiscal e emprego. Em termos políticos, a audiência de hoje funciona como termômetro: mostra se há espaço para acordo ou se o debate tende a se polarizar.

A comissão seguirá com outras sessões para ouvir categorias, especialistas e autoridades. O resultado desses encontros vai orientar o relatório final e poderá influenciar votações futuras na Casa, além de servir como referência para o governo calibrar sua posição sobre mudanças na jornada. A atenção agora é para o metabolismo político do tema: se prevalecer o diálogo proposto por Prates ou se o processo se transformará em ponto de atrito no Congresso.