O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou à Rádio Correio FM que a criação da comissão especial para analisar o mérito das duas PECs que tratam do fim da jornada 6x1 pode sair já na próxima semana. Motta declarou ter como objetivo tentar concluir a tramitação até o final de maio, data que destacou por seu significado simbólico — o 'mês do trabalhador'. A admissibilidade das propostas foi aprovada pela CCJ na quarta-feira.

Com a comissão instalada, caberá aos partidos indicar os membros do colegiado. Nos bastidores da CCJ, segundo apuração, há sinais de que a relatoria de Paulo Azi (União-BA) — autor do parecer de admissibilidade — deve ser mantida na comissão especial. Azi, porém, disse publicamente não ter informações sobre conversas com Motta, o que revela incerteza e disputa sobre quem comandará o processo.

O cronograma anunciado tem consequências políticas claras: avançar em ritmo acelerado confere valor simbólico à proposta, mas aumenta a pressão sobre deputados para tomar posição em um tema sensível para trabalhadores e empresas. A aprovação na CCJ tratou apenas da admissibilidade jurídica: ainda serão necessárias negociações duras na comissão e no plenário, onde custos políticos e econômicos entrarão no jogo.

As próximas semanas devem mostrar se há acordo suficiente para encaminhar o texto até maio ou se a proposta perderá fôlego, virando fonte de desgaste para parlamentares que a apoiarem ou obstruírem. A composição da comissão e a definição da relatoria serão sinais decisivos sobre o real potencial de tramitação das PECs.