O vazamento de diálogos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, reacende a dúvida pública sobre como investigações conseguem acessar e até recuperar mensagens apagadas em celulares. A resposta está na perícia forense digital: um conjunto de procedimentos técnicos e legais que transforma o aparelho em fonte de prova sem comprometer sua integridade.
A etapa inicial é de conservação. Ao ser apreendido, o dispositivo é isolado de redes para evitar alterações remotas — normalmente com o uso de gaiolas de Faraday ou embalagens que bloqueiam sinais — e segue uma cadeia de custódia documental. Em seguida, os peritos geram uma imagem forense, uma cópia bit a bit da memória; todas as análises posteriores são feitas sobre essa réplica, preservando o original como contraprova.
Softwares especializados permitem extrair arquivos visíveis e dados “ocultos”: registros de chamadas, coordenadas de GPS, bancos de dados de aplicativos e metadados que registram data, hora e origem do arquivo. Mensagens e áudios apagados muitas vezes permanecem recuperáveis enquanto o espaço que ocupavam não foi sobrescrito; a perícia varre áreas não alocadas em busca de fragmentos e reconstrói timelines com base nos metadados.
Há, porém, limites técnicos e jurídicos. Dados sobrescritos, backups criptografados ou exclusões em nuvem podem impedir a recuperação. Além disso, vazamentos públicos antecipam narrativas, podem contaminar fontes e abrir questionamentos sobre a cadeia de custódia e autenticidade, itens que advogados e tribunais costumam explorar. Em suma: a perícia é poderosa, mas a credibilidade do processo depende do rigor técnico e da preservação das evidências.