A comissão especial responsável por analisar a medida provisória que revoga a chamada “taxa das blusinhas” foi instalada nesta sexta-feira (28/8), oficializando o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) na presidência e a senadora Leila Barros (PDT-DF) como relatora. Ambos integram a base governista no Congresso, o que cria uma trilha mais rápida para o relatório.
O cronograma foi acelerado: Leila Barros disse que pretende apresentar o parecer já na segunda-feira (31/8), a comissão prevê reunião para votar o texto na terça (1º/9) e a expectativa é levar a matéria aos plenários da Câmara e do Senado na quarta (2/9). A movimentação ganhou ânimo após encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que se comprometeram a dar celeridade à votação.
A instalação em dia de sexta-feira — quando a presença de parlamentares em Brasília é atípica — e o formato semipresencial evidenciam a pressa para cumprir o calendário: a MP precisa ser aprovada até 8 de setembro para não perder validade; caso contrário, a taxação voltará a vigorar. No Planalto, a pauta é tratada como prioridade, em parte pela sobreposição com o calendário eleitoral e a última semana útil antes do primeiro turno.
Reginaldo Lopes informou que usará o fim de semana e a segunda para ouvir bancadas e setores afetados, buscando ajustes pontuais, sem alterações profundas ao texto do Executivo. A aceleração, porém, expõe o governo à dependência da articulação legislativa e amplia a pressão sobre deputados e senadores, que terão pouco tempo para conciliar interesses setoriais e o custo político de uma decisão em véspera de eleição.