O Congresso Nacional decidiu nesta quarta-feira (12) adiar a instalação da comissão parlamentar mista que deve analisar a Medida Provisória apelidada de "taxa das blusinhas", que zera o imposto de importação de 20% para compras pela internet de até US$ 50. Segundo a liderança do governo no Congresso, ainda não houve acordo sobre quem ficará com a relatoria e a presidência do colegiado, e a instalação foi reagendada para um novo esforço concentrado entre 31 de agosto e 3 de setembro. A MP perde a validade em 8 de setembro se não for apreciada por Câmara e Senado.

A demora havia sido agravada pela ausência de autorização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para instalar a comissão — um entrave que levou o governo a pedir formalmente a instalação. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, atribuiu a retomada de diálogo institucional às conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre no Palácio da Alvorada, que teriam ajudado a destravar pautas, mas não foi suficiente para costurar os nomes da mesa e evitar o adiamento.

O recuo expõe um nó político com implicações práticas: o governo terá menos margem para negociar votos diante do prazo apertado, e a indefinição aumenta a chance de a MP caducar. Além do impacto técnico sobre importações de pequeno valor, o episódio revela custo político — a necessidade de acelerar tratativas com bancadas e líderes pode consumir capital político do Planalto e dar espaço a críticas sobre capacidade de articulação no Congresso.

Ao mesmo tempo em que a comissão da MP foi adiada, outras cinco medidas provisórias pendentes tiveram seus colegiados instalados, e o acordo em Brasília viabilizou a aprovação do PLP 114/2026, que reduz tributos sobre combustíveis para mitigar efeitos da alta internacional causada pela guerra no Oriente Médio. A Proposta de Emenda Constitucional que trata do fim da escala 6x1, porém, segue paralisada no Senado, sem sinalização de avanço por parte de Alcolumbre. O adiamento da comissão da "taxa das blusinhas" é, assim, tanto sintoma de uma barganha em curso quanto indicador de que o calendário legislativo do governo segue sujeito a riscos políticos e práticos.