O Congresso Nacional adiou para as 18h30 desta quarta-feira (12/8) a sessão de instalação da Comissão Mista destinada a analisar a medida provisória que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. A decisão de remarcar a reunião ocorreu após fracasso na costura de um acordo entre lideranças, que não conseguiram fechar composição e calendário para a tramitação do texto.

Embora o adiamento seja formalmente uma questão de articulação interna, ele revela um desgaste político imediato: a falta de consenso adia o início dos trabalhos e amplia a incerteza sobre o futuro da medida. Para empresários do comércio eletrônico e consumidores, a indefinição repete um problema recorrente no Congresso — medidas com impacto direto no bolso do eleitor ficam sujeitas a atrasos por disputas de agenda e barganhas políticas.

Do ponto de vista institucional, o impasse força o governo e seus aliados a um esforço de reconstrução de apoio em plenário. A demora para instalar a comissão também complica a estratégia de comunicação da iniciativa, que vinha sendo vendida como ganho de desoneração e estímulo ao consumo. Sem uma bancada coesa, a MP corre o risco de ver sua tramitação esticada, o que pode reduzir a eficácia política do anúncio.

A nova tentativa de instalação está marcada para hoje à noite, mas fontes parlamentares admitem que a sessão pode ficar para quinta-feira (13) caso as negociações não avancem. O episódio costura duas lições práticas: medidas de impacto econômico precisam de articulação parlamentar robusta para sair do papel; e a incapacidade de fechar acordos expõe fragilidades que podem custar capital político ao Executivo em uma agenda já sensível.