O Congresso Nacional decidiu prorrogar na prática o recesso parlamentar em razão do calendário de convenções partidárias. Embora o descanso formal terminasse no dia 1º de agosto, as convenções vão até 5 de agosto, e os trabalhos só serão retomados em 10 de agosto. Em ano eleitoral, a rotina reduziu-se a um movimento previsível: parlamentares priorizam agendas locais e campanhas, comprimindo a atividade legislativa em Brasília.

A retomada será feita em regime de esforço concentrado, com sessões previstas de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A estratégia anunciada é aprovar matérias de menor controvérsia e que reúnam consenso entre as bancadas, evitando embates maiores que exigiriam mais tempo de tramitação e articulação política. A tática é comum em anos eleitorais e busca entregar resultados visíveis sem expor divisões profundas no Congresso.

Na Câmara, o presidente Hugo Motta aponta como prioridades o projeto que prevê a criminalização da misoginia — pauta que enfrenta resistência de grupos conservadores e religiosos — e a atualização do Microempreendedor Individual (MEI), que eleva o limite anual de faturamento. No Senado, as atividades serão mais pontuais, com reuniões de comissões e audiências; a PEC que acaba com a escala 6x1, uma bandeira do governo, permanece travada na presidência de Davi Alcolumbre.

O calendário comprimido tem efeitos concretos: reduz o espaço para debates complexos, força escolhas sobre quais projetos merecem empenho político e pode postergar votações sensíveis para depois do período eleitoral. Para o governo, é sinal de que será preciso negociar com mais pragmatismo; para a oposição, oportunidade de explorar omissões e dar visibilidade a pautas locais. Em suma, o Congresso opta por um filtro de governabilidade mínima até a virada da campanha.