Brasília (DF) — Parlamentares do Partido Democrata no Congresso dos Estados Unidos enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre a participação de autoridades americanas na saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota nas eleições para Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento menciona reportagem do The New York Times segundo a qual o jatinho que levou o senador da Argentina aos EUA teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro próximo a Trump. Os congressistas questionam se recursos diplomáticos e procedimentos de imigração foram empregados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira que, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, estava proibida de deixar o país.
O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias
"O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias"
Os parlamentares pedem identificação dos responsáveis por eventual emissão de vistos e querem saber quando a Embaixada americana em Brasília e o Departamento de Estado foram informados sobre as determinações do STF. Alegam haver relato de que um funcionário de alto escalão assegurou a liberação dos documentos, mesmo após o conhecimento das restrições judiciais brasileiras.
A investigação parlamentar apura também possíveis contatos entre funcionários da Casa Branca, diplomatas e agências federais com Flávio, sua família, advogados e assessores, incluindo organização de voos, emissão de documentos, acesso a aeroportos e coordenação com órgãos como o Departamento de Segurança Interna e a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras. A Polícia Federal informou que, em 26 de outubro, o senador foi intimado a entregar passaportes em 24 horas, não o fez, teve os documentos cancelados e foi incluído alerta migratório; o Departamento de Estado tem até 13 de novembro para responder.