O Congresso reúne agenda pesada nesta quarta-feira, com destaque para o Senado: a CCJ da Casa deve analisar a PEC que reduz a jornada e elimina a escala 6x1, a proposta que insere o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e a medida provisória apelidada de “taxa das blusinhas”, sobre compras internacionais. Há mobilização para levar as matérias ao plenário e, possivelmente, às duas Casas em curto prazo.

O relatório sobre a redução da jornada será apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) e tem prioridade na pauta. O líder do governo, Randolfe Rodrigues (PT-AP), articula apoio de dois terços dos líderes para permitir a chamada quebra de interstício — mecanismo que viabilizaria os dois turnos de votação no mesmo dia. Sem esse acordo, o rito exige intervalo entre as etapas, o que retardaria a tramitação.

A oposição prepara instrumentos regimentais para tentar atrasar a votação, com pedidos de vista e propostas de envio a outras comissões. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que o debate sobre a jornada tem potencial para interferir no cenário eleitoral e resiste à ideia de votar a proposta antes das eleições, o que cria um impasse sobre calendário e estratégia.

Na CCJ também consta a PEC da Segurança, relatada por Rogério Carvalho (PT-SE), que confere status constitucional ao Susp e a fundos vinculados. A relatora da MP das compras internacionais, senadora Leila Barros (PDT-DF), fechou acordo para análise na comissão especial antes de seguir aos plenários. A tentativa de acelerar votações acende alerta político: o governo demonstra pressa legislativa, mas corre o risco de enfrentar obstrução, desgaste público e desgaste na articulação com o Senado.