Após o recesso parlamentar, Câmara e Senado voltam a concentrar esforços para destravar uma fila de projetos que ficaram pendentes. Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) marcou reunião com líderes para terça-feira (11/8) com o objetivo de definir prioridades do plenário. O retorno ocorre em meio à proximidade do calendário eleitoral, que amplia a pressão sobre deputados e senadores para entregar resultados visíveis à opinião pública.

Entre as matérias que receberam atenção está o texto que tipifica a misoginia como crime. A proposta, aprovada no Senado, chegou à Câmara com relatoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e teve a votação adiada antes do recesso. Tabata afirmou anteriormente que vinha buscando acordo entre bancadas e pretende seguir trabalhando pelo avanço do tema, que ainda enfrenta disputa sobre alcance da criminalização e possíveis limites relativos à liberdade de expressão, inclusive no âmbito religioso.

Na mesma agenda, o PLP dos Combustíveis aparece como ponto sensível: a proposta prevê mecanismos para reduzir ou zerar temporariamente tributos federais sobre gasolina, diesel e etanol em episódios de forte alta do preço do petróleo. Parlamentares estão divididos sobre os impactos sectoriais e setoriais da medida. Além disso, a proposta levanta uma questão fiscal imediata — eventuais renúncias de receita federal exigirão compensações ou cortes, o que transforma a solução para a bomba nos postos em um dilema de política pública.

No Senado, há expectativa sobre projetos considerados estratégicos pelo governo, como a proposta dos minerais críticos — aprovada na Câmara e aguardando votação —, a alteração da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública. O encontro entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre, em jantar na semana passada, foi interpretado por aliados como uma chance de reabertura do diálogo, mas não elimina a necessidade de negociação fina no Congresso. O acúmulo de pautas e as divergências expostas acendem alerta sobre desgaste político e custos institucionais à medida que 2026 se aproxima.