Deputados governistas e parlamentares de oposição intensificaram nesta quinta-feira (21/5) a pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. No plenário do Congresso Nacional, lideranças destacaram a necessidade de apuração e cobraram do presidente do Legislativo, senador Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo, após dificuldades na coleta de assinaturas desde dezembro.

O deputado Pedro Uczai (PT-SC) qualificou a criação da CPI como “urgente” e criticou a proposta de CPMI encabeçada pela bancada do PL, que chamou de “teatro”. Uczai associou o empresário Daniel Vorcaro a integrantes da família Bolsonaro e afirmou haver indícios de pagamentos e de visitas a Vorcaro em prisão domiciliar com uso de recursos do Senado — denúncias que, na avaliação do deputado, precisam ser investigadas, não assumidas como verdade sem apuração.

A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), que subscreve pedido próprio junto com a deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS), ampliou o escopo das alegações: falou em suposta rede de irregularidades envolvendo lavagem de dinheiro, narcotráfico e descontos indevidos a aposentados e pensionistas, citando relatos em 19 estados e estimando impacto a cerca de 250 mil beneficiários apenas no Rio de Janeiro. Ela cobrou apuração não seletiva e acusou setores políticos de hipocrisia ao tratar o tema com valor político diferenciado.

O movimento parlamentar exibe duas consequências concretas: pressiona a mesa do Congresso a decidir sobre o rito e acende alerta sobre o desgaste político para quem é citado nas acusações, especialmente Flávio Bolsonaro e aliados. Ao mesmo tempo, a divisão sobre autoria e condução do requerimento revela risco de politização do processo, o que reforça a importância de uma investigação técnica, com independência e transparência, para evitar que a disputa partidária destrua a credibilidade do próprio instrumento de fiscalização.