O Congresso Nacional entra em uma semana decisiva de esforço concentrado com pautas que tocam diretamente bolsos e rotina dos trabalhadores. Entre os temas mais sensíveis estão a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 — fim da jornada em que se trabalha seis dias para ter apenas um de descanso — e a medida provisória que prevê isenção de impostos para compras internacionais até US$50, conhecida no Congresso como a 'taxa das blusinhas'. As votações ocorrem em um calendário apertado, com reflexos eleitorais claros às vésperas de outubro.

No Senado, a PEC do 6x1 tem previsão de análise na Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira (2). O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e rejeitou as doze emendas, numa estratégia explícita para manter o texto aprovado pela Câmara e evitar retorno à análise dos deputados. Caso avance na CCJ, a proposta ainda precisará de dois turnos em Plenário, com quórum elevado para aprovação, o que transforma cada voto em possível ponto de pressão política.

A chamada 'taxa das blusinhas' tem rito mais apertado: a MP começa a semana na comissão mista nesta segunda-feira (31), às 16h, quando a relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), deve apresentar parecer. Há expectativa de votação já na comissão — importante diante do prazo: a medida provisória perde validade em 8 de setembro. Se aprovada, seguirá para os plenários da Câmara e do Senado; sem avanço, o governo perde o instrumento legal e abre espaço para desgaste em temas tributários populares.

Além desses pontos de maior apelo, o Congresso encara medidas que tocam emprego e indústria (regras para mototaxistas e linhas de financiamento para entregadores), incentivos fiscais a programas sociais, políticas de agroecologia e o Plano Nacional de Cultura. No Senado, a PEC da Segurança Pública e projetos como o Redata e o marco dos minerais estratégicos também figuram entre prioridades. O período de votações antecede a entrega do Orçamento de 2027 e tende a escancarar trocas políticas: aprovações ou derrotas terão impacto imediato na narrativa do governo, na confiança de investidores e na capacidade de negociação dos partidos no Congresso.